Como escolher um sensor
Comece pelo que você precisa saber, não pelo sensor que veio no kit. Para um termômetro de ambiente, ±0,5 °C bastam; contra mofo ou numa estufa, vale um sensor de umidade de ±2% UR; uma estação meteorológica que compara a pressão com a previsão precisa de boa precisão absoluta, enquanto um altímetro precisa de boa precisão relativa.
Depois veja como ele se conecta. Os sensores I²C compartilham dois fios com outros dispositivos, desde que os endereços sejam diferentes; o DHT11 e o DHT22 usam um protocolo próprio de um fio só, o DS18B20 usa 1-Wire e a maioria dos sensores de CO₂ e de partículas usa uma UART. Com ESP32 e Raspberry Pi Pico, prefira sensores que funcionem com 3,3 V ou cujas linhas de dados trabalhem em 3,3 V.
Temperatura e umidade: a posição importa mais que o chip
A umidade relativa depende da temperatura: um sensor 2 °C mais quente que o ambiente mostra uma umidade vários pontos abaixo da real, diga o que disser o datasheet. Coloque-o longe do microcontrolador, do regulador e da antena Wi-Fi, de preferência na ponta de um cabo curto ou numa caixa ventilada, e longe do sol direto.
O DHT11 e o DHT22 são baratos e simples, mas lentos e menos precisos. O AHT20, o SHT31, o SHT4x, o HTU21D, o Si7021 e o HDC1080 são sensores I²C com ±0,2 a ±0,3 °C típicos; entre eles, o SHT4x é o mais preciso em umidade. O BME280 acrescenta a pressão em troca de um pouco de precisão, e o DS18B20 e o TMP117 medem só temperatura.
CO₂ real ou eCO₂
Os sensores NDIR e fotoacústicos (MH-Z19C, SCD30, SCD40, SCD41) medem o próprio CO₂, que indica quando um cômodo precisa de ventilação. Os sensores de óxido metálico (SGP30, SGP40, SGP41, ENS160, CCS811, BME680) reagem aos compostos orgânicos voláteis: alguns estimam a partir deles um “eCO₂”, mas isso não é uma medição de CO₂. Eles servem para detectar cheiros de cozinha, produtos de limpeza ou tinta, e são menores e mais baratos.
Ultrassom, infravermelho ou laser para distância
Os módulos ultrassônicos como o HC-SR04 têm um feixe largo e funcionam com vidro e superfícies escuras, mas os materiais macios absorvem o eco. Os sensores a laser por tempo de voo (VL53L0X, VL53L1X, VL53L4CD) e o LiDAR TF-Luna têm um feixe estreito e leem alvos pequenos, mas a luz do sol e as superfícies escuras reduzem o alcance. Para caixas-d’água, a escolha de costume é o JSN-SR04T à prova d’água.
Cada sensor I²C leva à sua ficha na lista de endereços I²C, com ligações, resistores de pull-up e conflitos. Para projetos a bateria, some a corrente do sensor à do resto da placa na calculadora de autonomia da bateria.
Fontes: datasheets e páginas de produto dos fabricantes (Sensirion, Bosch Sensortec, Texas Instruments, Analog Devices, Silicon Labs, TE Connectivity, Aosong, Infineon, STMicroelectronics, Benewake, Sharp, ROHM, ams OSRAM, Vishay, Winsen, ScioSense, Plantower, Nova Fitness) e documentação do ESPHome, conferidos em novembro de 2026.
Perguntas frequentes
Qual é o melhor sensor de temperatura e umidade para ESP32?
Para precisão, um Sensirion SHT4x ou SHT31 via I²C: ±0,2 °C e ±1,8 ou ±2% UR típicos. O AHT20 custa menos e chega perto (±0,3 °C, ±2% UR). Escolha o BME280 se você também quer pressão, e deixe o DHT22 para projetos simples. Seja qual for a escolha, monte-o longe das partes quentes da placa.
DHT22 ou BME280: qual usar?
O DHT22 é especificado com ±0,5 °C e ±2% UR típicos; o BME280, com ±1 °C (±0,5 °C a 25 °C) e ±3% UR. O BME280 acrescenta a pressão, funciona via I²C ou SPI e consome 0,1 µA em repouso contra cerca de 50 µA, então combina com projetos a bateria; o DHT22 é lento e usa um protocolo próprio de um fio só. Para umidade precisa, um SHT4x supera os dois.
Por que meu sensor mostra umidade baixa dentro de casa?
Em geral porque está mais quente que o ambiente. A umidade relativa cai quando a temperatura sobe, então um sensor aquecido pelo microcontrolador, pelo regulador ou pelo sol enxerga um ar seco demais. Afaste-o da placa, na ponta de um cabo curto ou numa caixa ventilada, e compare com outro sensor depois de alguns minutos.
O SGP30, o ENS160 ou o CCS811 medem CO₂?
Não. São sensores de gás de óxido metálico que reagem aos compostos orgânicos voláteis e estimam a partir deles um “eCO₂”. Para saber o nível real de CO₂, por exemplo para decidir quando ventilar um cômodo, use um sensor NDIR ou fotoacústico, como o SCD40, o SCD41, o SCD30 ou o MH-Z19C.
HC-SR04 ou VL53L0X?
O HC-SR04 chega a 4 m com um feixe largo e enxerga vidro, mas precisa de 5 V e de um divisor no pino de eco com placas de 3,3 V. O VL53L0X é um pequeno sensor a laser I²C de 3,3 V com feixe estreito: cerca de 1,2 m sobre branco em ambiente interno, até 2 m no escuro e menos no sol. Para caixas-d’água, use o JSN-SR04T à prova d’água.
Posso ligar dois sensores com o mesmo endereço I²C?
Só se o sensor permitir trocar o endereço: muitos têm um pino de endereço (BME280, SHT31, TMP117), os VL53 podem ser renumerados por software e, no SHT4x, o endereço depende do código da peça. Se não for possível, use um multiplexador como o TCA9548A, ou um segundo barramento I²C no ESP32.
Quais destes sensores funcionam com o ESPHome?
Quase todos têm um componente oficial do ESPHome, indicado na tabela. O VL53L1X, o VL53L4CD e o Sharp GP2Y0A21 não têm; o sensor da Sharp ainda pode ser lido com o componente adc. O gerador de ESPHome deste site escreve a configuração para DHT11, DHT22, BME280, SHT3x e DS18B20.